UFRJ promove debate sobre a importância da soberania alimentar para a sociedade

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Convidados e acadêmicos da INJC/UFRJ

O evento integra a VI Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, articulada por diversas universidades do país

Nesta segunda-feira (29/04), a mesa redonda ‘Reforma Agrária, Agroecologia e Soberania Alimentar: do Campo à Mesa’ reuniu diversos convidados relevantes para o cenário ambiental e da alimentação, no estado e no país. O evento foi promovido pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro (INJC), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e integra as ações desenvolvidas pelo projeto de extensão do INJC, “Biodiversidade, cultura alimentar e gastronomia: degustando novos saberes”.

Acompanhado por diversos acadêmicos, docentes e visitantes, o debate foi mediado por Thadia Turon, professora do INJC/UFRJ, e contou com a participação de Inês Rugani, professora do Instituto de Nutrição da UERJ e membro do CONSEA; Alberto Palmeira, Coordenador Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA); Thales Adriano, representante do Movimento Sem Terra (MST); Flávia Brito e Francine Xavier, idealizadoras do projeto A.Ch.A; Claudia Vasconcellos; chef da gastronomia; Flávio Lorenção, agricultor orgânico; e Bela Gil, apresentadora, ativista e chef de cozinha natural.

CONSEA

Com a finalidade de abordar a reforma agrária, a agroecologia, o papel do agricultor e a necessidade de aproximação do produtor e do consumidor para a soberania alimentar, o encontro provocou importantes discussões e análises. Inês Rugani abriu a roda de conversa, explicando à plateia sobre o papel do CONSEA. Segundo a professora, o conselho é parte estruturante das políticas públicas voltadas para a segurança e soberania alimentar.

Ao lado da equipe de governo, cabe ao CONSEA, por meio de programas como o SISAN, fomentar a reeducação dos hábitos alimentares, como alternativa para combater doenças provocadas pela ingestão de produtos industrializados. O conceito “comida de verdade” nasce dentro desta perspectiva. Há também outras propostas e fomento para a preservação da biodiversidade brasileira. Inês evidencia, dessa forma, a gravidade do desmembramento do conselho, ação do atual governo.

MPA

Alberto Palmeira trouxe para o campus questionamentos sobre a falta de políticas públicas para a alimentação. Para o coordenador há urgência social e, portanto, necessidade do olhar das equipes de governo para a logística de distribuição de alimentos, alinhavando com a mobilidade urbana, como forma de garantia do escoamento da produção dos agricultores, assegurando um comércio mais justo e transparente e o acesso da população aos produtos – um viés para o combate à fome.

Alberto também abordou a importância de se pensar em formas de reocupação urbana, em novos espaços geográficos  e fora dos centros urbanos, para produção e para a revitalização da natureza, uma ação realizada por muitos produtores de alimentos que desenvolvem suas atividades em assentamentos.

MST

Thales Adriano, representando o MST, realizou apontamentos sobre a necessidade de atenção para a distribuição e produção de alimentos para construir uma cadeia alimentar mais justa e sadia, assegurando a soberania para a sociedade. Thales fez um alerta para o Brasil ser o segundo país do mundo com a maior concentração de latifundiários, de acordo com o Censo Agropecuário 1996 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da FAO (Organização Internacional das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação). Identificando, desta forma, a desigualdade na distribuição de terras e na utilização destas em beneficio da agroindústria.

A diferença entre a produção orgânica e agroecologia também foi outro aspecto explicado pelo palestrante. Segundo ele, diferente da agroecologia praticada pelos produtores familiares, que cultivam seus alimentos respeitando a biodiversidade. Na produção orgânica, atualmente há a inserção de grandes indústrias que enxergaram nesta área um mercado lucrativo, com o aumento de consumidores deste tipo de comida.

A.Ch.A

Flavia Brito e Francine Xavier são sócias da Cambucá Consultoria e apresentaram o projeto A.Ch.A (Articulação de Chefs e de Agricultores), criado a partir de uma ação desenvolvida pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e pelo Instituto Maniva, da chef Teresa Corção. A iniciativa promove a interação entre chefs e agricultores orgânicos e incentiva a humanização do trabalho de produção e um mercado mais justo para os trabalhadores do campo, com o apoio da gastronomia.

O A.Ch.A também fortalece a variedade de alimentos e, por isso, é uma alternativa a padronização dos alimentos, fortalecida pelas indústrias. Lançado em 2018, neste primeiro momento, o projeto contou com a parceria da UFRRJ, da EMATER-RIO, dos produtores orgânicos do grupo Raiz Forte do Sistema Participativo da ABIO (SPG-ABIO) e do Instituto Maniva.

Claudia Vasconcellos

Claudia Vasconcellos é chef da gastronomia, proprietária do Bufett Claudia Vasconcellos e As Bentas. A profissional lançou luz para a necessidade da utilização da gastronomia como ferramenta para fortalecer os produtores familiares orgânicos do país. Além de contribuir com a segurança alimentar, oferecendo um trabalho no qual une ecologia e cozinha, há a perpetuação da cultura por traz dos alimentos, produzidos em diversas regiões com suas peculiaridades, crenças, manifestações artísticas e outras.

Flávio Lourenção

Flávio Lourenção é agricultor do assentamento Sol da Manhã e integra o grupo Raiz Forte (SPG-ABIO), com diversos produtores de Seropédica e áreas adjacentes. Flávio trouxe para a mesa sua experiência com a agricultura e todos os desafios enfrentados nas colheitas, como o esgotamento físico, a falta de infraestrutura, fomento de instituições, incluindo as bancárias – que não auxiliam na abertura de crédito para esses profissionais do campo. Além da especulação imobiliária, responsável pela degradação do solo.

Bela Gil

Bela Gil é apresentadora do programa “Bela Cozinha”, transmitido pelo canal GNT. Para a mesa redonda, Bela apresentou propostas, entre elas a utilização da alimentação como ferramenta social, um ato político, assim como um olhar mais atento para a biodiversidade. A chef evidenciou que a população mundial consome apenas 1% do que o meio ambiente oferece, entre as consequências disto estão algumas intolerâncias a produtos alimentares, provocadas por hábitos alimentares nocivos à saúde.

A apresentadora também trouxe alertas como a utilização, por parte da agroindústria, de fertilizantes sintéticos, o NPK, que ao lado dos agrotóxicos são responsáveis por grandes impactos no meio ambiente e na saúde.

A mesa redonda ‘Reforma Agrária, Agroecologia e Soberania Alimentar: do Campo à Mesa’ integra a VI Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária (JURA), realizada em diversas universidades brasileiras. A JURA acontece entre os meses de abril e maio, com o objetivo de ampliar o debate sobre a importância da reforma agrária popular, da luta pela terra e da alimentação saudável, livre de transgênicos e agrotóxicos.

 

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*Mais informações: https://www.facebook.com/JURANAUFRJ/

 

 

 

 

 

 

 

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