Encontro de Feras com Olhar Saudável leva debate sobre alimentação consciente para o Espaço Nuvem

Encontro de Feras com Olhar Saudável
Divulgação

Entre os presentes, Marcos Pinheiro, Carol Graciosa, Berg Silva, Lulu Graciosa, Jaqueline Oliveira, Jennifer Tanaka e Simone Carrocino dialogaram sobre o atual cenário da produção orgânica de base agroecológica  no país

No dia 21 de junho, o Espaço Nuvem recebeu o ‘Encontro de Feras com Olhar Saudável’, roda de conversa  que propôs a abordagem sobre o atual cenário da produção orgânica no país, o conceito de agroecologia e os desdobramentos da atual política, no que refere a segurança alimentar e ambiental.

Marcos Pinheiro, mediador do encontro, abriu o evento, direcionando a primeira abordagem para Carol Graciosa, produtora cultural, e Jaqueline Oliveira, gerente da Feira Orgânica do Recreio – ABIO. Marcos sugeriu uma análise acerca dos desdobramentos políticos que colocam o Brasil na contramão do incentivo da agroecologia, uma vez que mais de 100 agrotóxicos foram liberados desde o início deste ano. 

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Marcos Pinheiro à dir., Carol Graciosa ao centro e Berg Silva à esq. / Divulgação

Para contribuir com a reflexão, Carol, trouxe um material para os presentes no evento que expõe a falta de incentivo de uma alimentação justa e saudável e evidencia a discrepância entre as atuações do agronegócio e da agroecologia. A produtora cultural também explicou sobre a diferença entre os cultivos praticados no país. 

Jaqueline, por sua vez, explicou que o circuito de feiras orgânicas da ABIO trabalha somente com produtos orgânicos de base agroecológica. A gerente da Feira Orgânica do Recreio evidenciou um dado interessante, de acordo com ela, há, neste movimento, tanto famílias que sempre trabalharam no campo,  como agrônomos, que após se formarem, seguem pelo caminho da produção familiar e, atualmente, compõem o grupo de agricultores certificados pela associação. 

“Tem muitos produtores que se formaram em Agronomia e após a formatura resolveram comprar um sítio e iniciar a produção orgânica. Apesar das vivências diferentes, entre os que optaram pelo caminho, após o contato com a terra, por meio da universidade, e aqueles que já nasceram neste meio, todos estão com as suas famílias no campo. A forma como esses profissionais contratam as pessoas para trabalharem com eles é de forma justa e com carteira assinada”. Afirma Jaqueline Oliveira. 

O debate também evidenciou a falta de fomento em relação às políticas públicas necessárias para que se fortaleça a agroecologia. Berg Silva, fotojornalista, trouxe apontamentos no que tange a estrutura socieconômica do Brasil, construída sob latifúndios e negociação com o exterior, no qual não é pensado o próprio abastecimento populacional, o que culmina na desigualdade em relação ao acesso à alimentação e, consequentemente, a existência do mapa da fome, no país.

Foto de Marcel Lopes
Berg Silva / Foto de Marcel Lopes – Olhar Saudável

O fotojornalista também abordou sobre a luta de produtores locais que enfrentam o assédio do agronegócio, responsável por eliminar a autonomia destes profissionais, os expondo a condições escravistas. As casas de farinha são um exemplo, no Nordeste, nos quais diversos profissionais não conseguiram permanecer em suas atividades, após a descoberta da fécula da mandioca como um importante material para a indústria petrolífera. O interesse de grandes empresas trouxe a inviabilização dos atuantes destas casas de farinha. 

Absorvendo todas as informações discutidas, Marcos levanta a questão sobre o contexto geral, no qual aponta o Brasil como líder no ranking de países que mais consomem agrotóxicos no mundo. Jennifer Tanaka, nutricionista, doutoranda e mestre em Ciências Sociais no CPDA/UFRRJ, propõe outra forma de enxergar a questão. De acordo com a nutricionista, o fomento de uma alimentação repleta de veneno se deve a uma corrente mundial, na qual há empresas específicas que controlam todo o mercado que envolve produtos industrializados e medicamentos. 

“Os dados falam que houve uma liberação em larga escala de agrotóxicos, a pergunta é: por quê? Da forma que eu vejo, quando nós falamos de agroecologia, nós também falamos do agronegócio, de figuras antagônicas. Se é um projeto de governo o fomento de uma alimentação nociva, isso é, então, um combate a outras práticas que poderiam ser mais agroeocológicas. O Brasil não está indo contra a corrente, porque esta é uma corrente mundial. Nós estamos falando de umas dez empresas que controlam a alimentação. Quando falamos de comida, não é só a comida que chega ao nosso prato. Falamos da semente ao descarte e o agronegócio, atrelado à indústria dos medicamentos, domina esta cadeia.” Explica Jennifer. 

A convite da iniciativa Olhar Saudável, que defende a conscientização alimentar e a produção orgânica, de base agroecológica, compôs a mesa de debate Marco Pinheiro, cofundador e diretor de relacionamento do Instituto Phi; Carol Graciosa; produtora cultural do Olhar Saudável e idealizadora do projeto Chefs na Feira; Berg Silva; fotojornalista; Lulu Graciosa; chef  e consultora gastronômica, idealizadora do projeto Gastronomia em Casa; Jennifer Tanaka nutricionista e criadora do blog Comer Muda o Mundo; Jaqueline Oliveira, gerente da Feira Orgânica do Recreio, da Associação dos Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro (ABIO) e Simone Carrocino, criadora do Da Si Permaculinária e integrante do coletivo de fotógrafos Olhar Saudável. 

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