Consea-Rio promove a V Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, na UERJ

 

Fotógrafo Fábio Costa [2]
Da esqr. para dir.: Caroline Morgado, Maria Emília Pacheco e Daniela Frozi / Foto de Fábio Costa

Membros do Conselho e outros palestrantes ligados ao tema participaram do encontro com a finalidade de solucionar desafios e apresentar propostas que assegurem o acesso à alimentação adequada à população

Após a realização de três pré-conferências que debateram sobre segurança alimentar e nutricional, durante todo o mês de junho, em diferentes pontos da Cidade do Rio de Janeiro – Arena Dicró, na Penha, Zona Norte; Galpão Ação da Cidadania, na Saúde,  Centro; e Fiocruz Mata Atlântica, em Jacarepaguá, Zona Oeste – o CONSEA-Rio promoveu, nesta última terça-feira (16/07), a ‘V Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional’, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

O tema “Alimentação Adequada e Saudável – Um Direito de Todos” pautou todos os encontros realizados no Rio de Janeiro, com a finalidade de reunir os principais desafios enfrentados e assegurar à sociedade o acesso a uma alimentação de qualidade. Os assuntos debatidos e as propostas pertinentes serão documentados e apresentados, posteriormente, em evento organizado pelo CONSEA Estadual, para que eles resultem em políticas públicas que atendam a essas urgências.

O retorno de localidades do Rio de Janeiro ao mapa da fome e a perda de direitos da sociedade foi umas das principais preocupações apresentadas pelos participantes. A mesa composta por Daniela Frozi, conselheira do CONSEA Nacional e coordenadora da Comissão Permanente do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA); Caroline Morgado, nutricionista do Departamento de Nutrição da Secretaria Municipal de Saúde de Duque de Caxias; e Maria Emília Pacheco, pesquisadora da Federação de Órgãos de Assistência Social e Educacional (FASE); foi mediada por Susana Padrão, professora de Nutrição da UERJ e presidente do CONSEA Estadual.

Susana Padrão - fotógrafo Fábio Costa
Susana Padrão / Foto de Fábio Costa

Segundo Susana, as componentes da mesa não foram escolhidas por acaso. Além da atuação acadêmica e experiência na área de pesquisa sobre a temática, todas são militantes em prol do alimento, o que ela considera um aspecto fundamental para o momento. “Nós estamos, neste segundo dia de conferência, realizando este encontro com muito esforço, construindo um espaço na sociedade onde possamos dialogar. Este é o único mecanismo (o CONSEA) ou o mais importante para conseguirmos caminhar no atual cenário político.” Afirma Susana. 

Daniela Frozi apresentou um discurso emocionado, na abertura do encontro, no qual desabafa sobre a busca pela resistência aos inúmeros ataques direcionados à democracia participativa e também acerca do esgotamento provocado pela deformidade das políticas públicas construídas historicamente em parcerias com a sociedade civil e que, atualmente, são enfraquecidas. 

“O uso do discurso de combate à fome torna-se uma estratégia para convencer a sociedade a aceitar absurdos, como o uso de agrotóxicos. Portanto, precisamos pensar nos valores humanos. O sentimento de perda de direitos traz a sensação de que algo mudou junto com o novo governo federal. O presente é um quadro terrível de descaso. O que fazer para resgatarmos o que conquistamos até aqui?” Comenta Daniela. 

Caroline Morgado complementa a fala de Daniela Frozi quando explica que a abordagem da segurança alimentar e nutricional é muito mais abrangente do que somente a relacionada à nutrição. Nela estão inseridas a cultura de um povo, a conscientização ambiental e as condições de emprego na sociedade. Portanto, para se falar de acesso à alimentação de qualidade é necessário olhar para os direitos e as condições adequadas. Uma vez que o recorte piora de acordo com a condição social, sendo a camada mais pobre exposta e vulnerável à insegurança alimentar e à fome.

Maria Emília Pacheco contrapondo no debate, traz injeção de ânimo quanto à necessidade de resistir à desconstrução de conquistas. Para ela, somente se engajando e tendo consciência da realidade é que se vence o adoecimento provocado pela retirada de direitos. “Estamos passando por um período na história de negação de sujeitos, como se parte da população fosse descartável. O direito à alimentação é um dever do Estado, logo, a sociedade precisa compreender que a alimentação é vida e não mercadoria.” Defende Maria Emília. 

Maria Emília Pacheco - Fotógrafo Fábio Costa
Maria Emília Pacheco / Foto de Fábio Costa

A pesquisadora também trouxe denúncias, entre elas, o perigo da defesa do trabalho infantil feita pelo atual presidente e como isso se reflete em relação às grandes indústrias versus a mão de obra escrava; o não cumprimento do programa no qual as escolas públicas devem comprar alimentos fornecidos por agricultores familiares, a fim de fortalecer o profissional do campo; e o descaso do governo com as unidades de conservação no estado e no país.

Durante a ‘V Conferência Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional’ também foram escolhidos delegados que representarão a capital do Rio na conferência estadual do CONSEA. O evento está previsto para acontecer no final do mês de agosto.  

 

Confira mais sobre o CONSEA-Rio:

 

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Segurança Alimentar: pré-conferência do CONSEA-Rio dialoga sobre a importância da alimentação adequada e saudável para a sociedade

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