Coluna Inaugural (Valença, RJ)

Não estamos parados. O momento pede reflexão. Como produtora cultural, realizando eventos com aglomerações, precisei repensar minhas atividades. Reinventar-se sempre requer uma dose extra de energia. E com uma menina de 3 anos, em casa em meio à pandemia, a tarefa fica ainda mais complicada.

Sem trabalho, passei uma bela temporada na casa dos meus pais, no interior do estado, quando chegou nas minhas mãos o Jornal Local de Valença. Analisando o conteúdo, pensei que poderia ser uma boa oportunidade para escrever sobre alimentação, tema que venho pesquisando desde 2016, por conta de um projeto em parceria com as Olimpíadas do Rio.

Inaugurei na quarta-feira (22/07), a minha coluna Tá na Mesa, que semanalmente vai ocupar a página 8. Estou muito agradecida pela oportunidade! Será um espaço de opinião e reflexão, sobre comida, memória, afeto, resgate, saúde, sustentabilidade…

Tá na Mesa
Inaugural
Começo esta coluna semanal agradecendo o espaço que me foi aberto pelo editor do Jornal Local. Muito obrigada, Gustavo! Falar de comida para mim é um prazer enorme, que desperta não somente as sensações do paladar (gosto, cheiro, consistência), mas também a memória e o afeto.
Como aprendemos a comer? A pergunta parece simples, mas não é. Nossas preferências vêm da forma como nos relacionamos com a comida desde a infância. Nosso paladar é formado não somente daquilo que nos é servido pela família, mas também por tudo o que nos cerca: desde o lanche da amiga da escola, passando pelas propagandas coloridas e atraentes, e pelos sentimentos que os alimentos nos trazem.
Essas sensações são a base das nossas escolhas: se você cresce vendo sua família cozinhando comida saudável e todos sentam-se juntos para fazer as refeições, você certamente vai levar isso para o resto da vida. O mesmo acontece se você crescer comendo alimentos comprados prontos de uma prateleira de supermercado…
Esta pandemia me aproximou ainda mais da ‘comida de verdade’, a que é feita usando alimentos que vêm da Natureza e respeitam a sazonalidade. Assim como me permitiu resgatar memórias antigas, experimentando receitas que me remetem à infância e vivendo situações que me aproximaram ainda mais de pessoas queridas e importantes.
Sou natural de Valença e, apesar de sempre ter morado no Rio, tive a oportunidade de conviver em casas e fazendas da região: cresci cercada da família numerosa, com mesas fartas e cheiro de fogão à lenha. Comer sempre foi o centro dos encontros familiares. Essa é uma das grandes vantagens de ter os pés no interior.
Minha avó paterna era doceira impecável: ambrosia, baba de moça, quindim, suspiro perfeito (nunca mais comi igual!)… A avó materna fazia biscoito de nata como ninguém – receita que minha mãe conseguiu reproduzir – e macarrão na casa dela era sempre artesanal. Memórias preciosas que alegram o coração.
Comer é, também, um ato político. Ao priorizarmos comprar alimentos orgânicos e agroecológicos, direto de agricultores familiares ou de pequenos produtores, que defendem uma produção sem defensivos agrícolas e práticas sustentáveis, estamos fortalecendo a alimentação adequada, limpa e justa.
Existe um grande movimento de cozinheiros e donos de restaurante para oferecer alimentos com qualidade, produzidos de maneira sustentável. É preciso, cada vez mais, dar visibilidade ao cultivo familiar, ampliar o debate sobre alimentação saudável e gerar reflexão sobre como nos alimentamos. É por este caminho que incentivamos a mudança de hábitos.
Os produtos ultraprocessados devem ser evitados a todo custo. Recebem tantos aditivos que nem reconhecemos os ingredientes escritos nas embalagens: espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e muitos outros tipos de aditivos, incluindo substâncias químicas sintetizadas a partir de carvão e petróleo, para dar alguns exemplos.
Comida, memória, afeto, resgate, saúde, sustentabilidade… Vamos falar muito sobre isso tudo e mais um pouco aqui nesta coluna. É um grande desafio propor um debate franco e aberto sobre alimentação neste momento delicado pelo qual passamos. Estou à disposição: escreva para a redação!

TáNaMesa_01

Trecho do editorial:

Editorial 01_trecho

Jornal Local, Valença (RJ)

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