Comer rima com prazer

Quando o isolamento social começou na nossa em casa, em meados de março, inaugurei uma prática desafiadora: virei cozinheira em tempo integral ou a já famosa expressão, ‘chef de quarentena’. Eu já cozinhava antes, mas certamente era uma atividade menos intensa, apesar de rotineira.

Meu marido fazia suas refeições na rua, durante o expediente, e eu, que sempre trabalhei em casa, me virava bem com uma omelete ou torrada com abacate. Agora eu preciso preparar quatro refeições completas por dia – nossa filha de 3 anos almoça antes e com algumas variações da nossa comida.

Claro que cozinhar para três não é pesado e para quem gosta, menos ainda. Eu me realizo na cozinha e faço ‘panelaterapia’. Comecei a elaborar mais as receitas, para exercer a criatividade em tempos pandêmicos. O resultado foi uma inflamação no ombro direito, o que me impediu de continuar com um passatempo saboroso que adquiri: fazer pão.

Assim como preparar a própria comida, em tempos de processados e fast food, é um ato revolucionário, fazer pão é simples e libertador. Pode-se assar um pão por dia e ter algumas fatias congeladas para os dias mais corridos. Um amigo que está na mesma onda deu uma dica de perfil no Instagram para fazer pão tipo italiano fácil e gostoso: @meninoprendado.

Cozinha para mim é sinônimo de prazer e gosto de descobrir novas habilidades dentro do universo da culinária. Quando tenho uma semana muito puxada e o orçamento não está muito folgado para pedir comida, tiro da manga alguma receita bem prática e gostosa para aquecer o coração. É a tal da ‘Comfort Food”, ou Comida Confortável.

O termo é usado em inglês mesmo e se refere às comidinhas que melhoram nosso humor e bem-estar no geral. Pode ser um prato que remete à infância, ao colinho da vovó, ou mesmo uma receita muito deliciosa com a combinação perfeita dos alimentos e temperos. Comida saudável, afetiva e prazerosa é o que desejo.

Esse casamento perfeito entre os ingredientes, chamado de ‘umami’, é o quinto gosto do paladar, além dos básicos ácido, doce, amargo e salgado. É uma palavra japonesa traduzida como “gosto saboroso e agradável”. Lembrando que gosto e sabor são dois conceitos distintos. Gosto é o sentido básico do paladar, já sabor, é a combinação de dois ou mais sentidos.

O sabor pode ser influenciado por diversas combinações, envolvendo o PALADAR (que se refere ao gosto) + OLFATO (odor e aroma dos alimentos) + TATO (textura, temperatura e consistência) + AUDIÇÃO (a sonoridade ao manipular ou mastigar) + VISÃO (as primeiras impressões provenientes da apresentação do prato).

Trocando em miúdos, o sabor é a experiência mista, resultado da combinação das percepções dos nossos sentidos. Por exemplo, quando adicionamos ‘crocância’ a um prato que não é crocante por natureza (sopas e arroz), inserimos um elemento surpresa que é valorizado ao comermos. Gosto de fazer arroz colorido e colocar granola salgada. Delícia!

Coluna_03

Jornal Local | Valença (RJ)

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