Desejo, necessidade, vontade

Esta é a décima coluna Tá na Mesa, escrita semanalmente para o Jornal de Valença (RJ). Desde que inauguramos este espaço de reflexão, há 2 meses, já passamos por diversos conceitos, todos ligados essencialmente ao direito que temos à informação, para podermos defender a alimentação adequada, sustentável, saudável e prazerosa para todos.

O tema é tão importante e negligenciado que foi necessário criar 17 objetivos para transformar o mundo, a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, um trabalho da ONU junto aos governos, a sociedade civil e outros parceiros. Todos os objetivos estão integrados e equilibram três dimensões: a econômica, a social e a ambiental.

Despertei para o tema da alimentação quando comecei a trabalhar com cultura durante as Olimpíadas do Rio, em 2016. Nessa época houve um debate muito grande sobre a segurança dos alimentos para recebermos o público internacional. O foco na ocasião eram as ações de fiscalização sanitária e educativas nos setores de Alimentação, Saúde e Hotelaria.

E, nas minhas pesquisas para poder montar uma praça de alimentação para os jornalistas, de acordo com as diretrizes do Comitê Olímpico Internacional, acabei entrando em contato com o tema da alimentação sustentável e saudável quando conheci o Circuito Carioca de Feiras Orgânicas, criado em 2010 para promover a comida de verdade e a agroecologia.

Como desdobramento, resolvi que deveria trabalhar cultura com responsabilidade socioambiental. Eu já vinha trabalhando conceitos para um mundo melhor dentro de ações culturais, porém ligados especificamente à educação de crianças pequenas. Entendi que projetos culturais responsáveis precisavam englobar ações para o meio ambiente.

E foi assim que lancei o livro Olhar Saudável – O Rio Saudável e Sustentável no Circuito Carioca de Feiras Orgânicas. Financiado pela Lei do ISS de Incentivo à Cultura da Prefeitura do Rio, o objetivo foi publicar um livro de Arte Gastronomia para promover a agricultura orgânica familiar de base agroecológica e chefs do Rio comprometidos com a causa.

Para criar conteúdo para o livro, além dos workshops de fotografia, fizemos o evento ‘Chefs na Feira’, para o qual montamos duas barracas na feira orgânica do Jardim Botânico/Lagoa e convidamos chefs para cozinhar. Foi sucesso! Movimentar as feiras com ações culturais é uma forma de chamar a atenção para esses espaços públicos de alimentação consciente.

Percebi que os projetos multiplataforma tinham um apelo maior tanto junto ao público, quanto aos patrocinadores. Inscrevi o projeto cultural Chefs na Feira na Lei do ISS e, por abordar o tema da alimentação saudável, chamei atenção da Unimed-Rio, que havia sido aprovada como contribuinte patrocinadora para reverter imposto em cultura.

Após o ‘atropelamento’ pela pandemia, o projeto Chefs na Feira vai retomar com ações virtuais. Você pode acompanhar a exposição de fotografias no Instagram, com lançamento marcado para o dia 30 de setembro. Já a websérie com os chefs, você poderá conferir no canal do Olhar Saudável no Youtube, que também será divulgado nas redes sociais.

Junto com a exposição, o Chefs na Feira vai abordar conceitos ligados à alimentação sustentável e saudável. E durante as entrevistas da websérie, os chefs vão cozinhar e compartilhar dicas e segredos para receitas originais e deliciosas. Não perca: entra no Instagram para seguir os perfis @chefsnafeira e @olharsaudavelrio.

A gente não quer só cultura, a gente quer comer e quer ser saudável.

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