Unidunitê: escolhas e consequências

Outubro é o mês da alimentação, além de ser o do movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, o famoso ‘Outubro Rosa’. Deixo aqui minha homenagem a esta bela campanha, criada nos anos 90, que segue firme para ampliar os serviços de diagnóstico e de tratamento, e contribuir para a redução da mortalidade.
No primeiro dia do mês é celebrado, anualmente, o Dia Mundial do Vegetarianismo, que abre o Mês da Conscientização Vegetariana. Criado pela Sociedade Vegetariana Norte-americana (NAVS), há 43 anos atrás, é uma data para incentivar e refletir sobre a opção alimentar baseada em plantas, vegetais, frutas, grãos, cereais e sementes.
O vegetarianismo tem 4 grupos: estrito, ovovegetariano, ovolactovegetariano e lactovegetariano. Antes de falar de cada um deles, é importante ressaltar que são opções que ainda sofrem preconceitos. Considerados inicialmente como ‘modismos’ e muitas vezes como ‘frescuras’, são escolhas legítimas e devem ser levadas a sério e seus adeptos, respeitados.
São vários os motivos para se tornar vegetariano: éticos (não compactuar com a exploração de animais), de saúde (risco reduzido de contrair doenças crônicas e degenerativas), em prol do meio ambiente (contra a erosão de solos e contaminação de mananciais, entre outros) e sociais (contra o desperdício de alimentos e utilização de mão de obra escrava na pecuária).
A última pesquisa do IBOPE (2018), ainda que controversa, revelou que 14% da população se declara vegetariana. A controvérsia vem do fato de muitos não saberem exatamente o que significa ser vegetariano e muito menos todas as diferenças entre os grupos. Apesar de ser uma estimativa, estudiosos consideram que os números passam longe da realidade.
Os 4 grupos citamos acima são classificações da SVB – Sociedade Vegetariana Brasileira. Embora o vegetarianismo originalmente denomine o regime alimentar que exclui todos os produtos de origem animal (consumo apenas de plantas e vegetais), as variações foram surgindo e sendo incorporadas, levando aos tipos que hoje são reconhecidos, a seguir.
Vegetariano Estrito
Não consomem nenhum produto de origem animal na alimentação (carne, laticínios ou ovos).
Ovolactovegetariano
Não consomem nenhum tipo de carne, mas utilizam leite, laticínios e ovos na alimentação.
Lactovegetariano
Além de não consumir nenhum tipo de carne, excluem também os ovos da dieta (além das plantas e vegetais, consomem leite e laticínios).
Ovovegetarianismo
Inclui ovos na dieta de plantas e vegetais.

Foto Olhar Saudável | Berg Silva


Existem ainda os ‘frugívoros’ que se alimentam primariamente de frutos e os ‘crudívoros’, que só consomem alimentos crus. E onde ficam os veganos? Quem adota o veganismo não consome NADA de origem animal em NENHUMA área de sua vida (vestuário, mobiliário ou qualquer outro tipo de atividade que envolva sofrimento animal). É um estilo de vida.
Uma maneira de experimentar aos poucos este modo revolucionário de se alimentar, é aderir ao movimento ‘Segunda Sem Carne’, encabeçado pelo eterno Beatle Paul McCartney. Não precisa ser necessariamente na segunda, mas adotar um ou mais dias para não comer nada de origem animal. Eu faço isso há algum tempo e tenho comido muito bem, obrigada.

Eu entraria na classificação “semi-vegetariana” para alguns, mas prefiro o de ‘consumidora consciente’. Como mais carne branca ou ovos e carne vermelha escolho as marcas que praticam o abate humanitário. Claro que não significa que eu não me permita um churrasco ou salgadinhos e docinhos de festa. Mas certamente não fazem parte da minha dieta.
Sobre o tema do mês, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) instituiu o dia 16 de outubro como o Dia Mundial da Alimentação, mesma data que marca o aniversário de fundação da Organização, em 1945. Pela relevância, todo o mês é dedicado ao assunto, num movimento pela alimentação saudável e sustentável.
Em 2019, o dia foi comemorado em 150 países sob o slogan “Nossas ações representam o nosso futuro: dietas saudáveis para um mundo fome zero”. Ou seja, embora a fome estivesse sob os holofotes para abranger os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS), foi mais uma chamada para as escolhas individuais que impactam nossa saúde e o mundo.
O tema deste ano é “Grow, Nourish, Sustain. Together.”. Não encontrei, até o fechamento desta coluna, tradução oficial em português, mas arrisco “Cultivar, Nutrir, Proteger. Juntos.”. No texto de apresentação da página oficial, em inglês, a Organização afirma: “A comida é a essência da vida e a base de nossas culturas e comunidades.” (tradução livre).

 Jornal Local | Valença, RJ

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