Conversas virtuais, o novo normal

E a live chegou para a colunista que vos fala. Aceitei o convite de um jornal virtual da cidade de Valença (RJ) e participei de um bate-papo online sobre a Semana Mundial da Alimentação, no dia 17 de outubro, sábado. Contribuí com pautas sobre a campanha que segue por todo o mês de outubro para a promoção da alimentação saudável, realizada com práticas sustentáveis.
Falamos sobre o localismo alimentar (valorizar os pequenos produtores e fomentar a economia local) que já foi tema de outra coluna intitulada ‘O caminho do alimento até o seu prato’. Frisando a necessidade de políticas públicas que fomentem e promovam as feiras livres, como sendo os melhores espaços de comercialização para a economia solidária.
A economia solidária compreende o conjunto de práticas econômicas e sociais que investem nas pessoas e no meio ambiente. As cooperativas são exemplos de entidades que praticam esse modo de produção/comercialização que repensam a relação com o lucro, para reduzir as desigualdades sociais. Uma associação entre iguais, que articula relações mais justas.
Outro assunto debatido foi o Guia Alimentar da População Brasileira, suas diretrizes e importância. Recentemente, foi realizado um abaixo assinado virtual em defesa do Guia, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde e que recebeu críticas do atual Ministério da Agricultura, pedindo a remoção de trechos com críticas aos alimentos industrializados.
Realizado pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS), da Universidade de São Paulo (USP), o Guia traz a classificação dos alimentos por grau de processamento e as consequências para a saúde e o meio ambiente – discorro sobre esse assunto na coluna ‘Ultraprocessados elevam risco de doenças do coração’.
Cheguei à conclusão que um evento virtual desses, a famosa live, deveria durar no máximo 60 minutos. Reduzir o tempo é uma forma de reter o espectador e de sermos mais diretos nas reflexões. É um privilégio ter plateia para tema tão urgente e a gestão do tempo faz parte de um bom debate. Nos empolgamos demais e recebi críticas construtivas. Agradeço.
Gostei bastante de muitas intervenções de quem acompanhou a (longa) live. A maioria dessas, de espectadores interessados na comida sem veneno. Prometi compartilhar o que consegui descobrir até agora sobre a produção de orgânicos em Valença e nos municípios do entorno. Lembrando que é uma pesquisa que pretendo aprofundar.
Na lista de produtores associados da ABIO (Associação de Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro ), de janeiro de 2019, consegui levantar seis produtores de orgânicos em Piraí: Fazenda Serra do Matoso, Sítio Revelação, Fazenda Santa Thereza, Sítio Monte das Oliveiras, Produções Orgânicas João Pimenta e Rancho Trilho de Metal; Fazenda da Colina em Vassouras; em Mendes, quatro: Treze Pedras, Sítio ‘Pai Oti, Mãe Ide e Tio Nadi’, Fazenda Entresserros e Sítio Recreio; seis em Barra do Piraí: Sítio Meio Hectare, Sítio Bom Retiro, Granja Sagrada Família, Sítio Jequitibá, Fazenda Santa Luzia e Chácara Maria Dulce; em Barra Mansa, três: Sítio Recanto do Sossego, Fazenda Jaqueira e Sítio Pinheiros; Grão de Maria em Volta Redonda; em Rio das Flores, três: Sítio Jequitibá, Quinta das Águas e Cachaças Artesanais Werneck.
Pela mesma lista da ABIO (estou pedindo uma atualizada), em Valença, encontramos três produtores certificados: a Fazenda de La Vega, Reserva Orgânica de Conservação e Sítio dos Sinos. Na lista do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), aparece apenas o Rancho Lo Buono, com produção de leite de búfala in natura.
A Fazenda de la Vega, localizada no Distrito de Conservatória, possui um site que informa sobre a produção de hortaliças e frutas orgânicas, além de outros alimentos. A Núbia informou que trabalhavam com venda de cestas na cidade de Valença, mas que pararam por causa da pandemia. Achei curioso, pois é um serviço que cresceu com a COVID-19…

Fazenda de La Vega: entregas foram suspensas durante a pandemia.
Foto: Reprodução/Site oficial

 

A Reserva Orgânica de Conservação entrega cestas em parceria com produtores de Petrópolis, em Niterói, São Gonçalo e Zona Sul do Rio. Falei com a Elaine, empreendedora, que informou que a produção do sítio, também em Conservatória, é de aipim, batata doce, abóbora e banana. E que não vendem pra Valença por falta de mão de obra qualificada…

Orgânicos da Reserva: produz em Conservatória, mas o cliente é de fora.
Foto: Reprodução/Site oficial

Já o Sítio dos Sinos fica no distrito de Santa Isabel do Rio Preto e o empreendimento foi encerrado há cerca de dois anos. Participavam de feiras esporádicas e faziam entregas em Volta Redonda. Falei com o Frederic, que me deu a triste notícia… De toda forma, encerrarei a coluna com uma reflexão que podemos tirar das informações que aqui compartilhei.
Falta um canal que informe sobre a produção sustentável na região. Certificada ou não. A agroecologia compreende muitos modos de produção: biodinâmica, natural, permacultura, biológica, ecológica, regenerativa, orgânica… Todos têm em comum o uso responsável dos recursos naturais e a valorização das relações socioculturais das comunidades rurais.
A transparência é o caminho do sucesso, seja público ou privado. Por mais óbvio que possa parecer, além do cidadão poder fazer escolhas conscientes, com a democratização dos dados (que deveriam ser) públicos, gestores sempre terão material confiável para formular políticas públicas voltadas para a promoção da produção rural sustentável.
Sem falar em tudo o mais que está entrelaçado, listando apenas o incentivo à economia solidária; o fomento aos projetos de qualificação da mão de obra local para geração de emprego; a difusão da agricultura agroecológica por meio de seminários, videoconferências e notícias específicas; e a interligação com o turismo, já nos deixa querendo mais.
Numa cidade carente de mão de obra, priorizar treinamentos de curta duração seria um golaço, fora a alocação de recursos para a construção de uma base de dados sólida, de produtores, produtos, modos de produção e consultores qualificados para a concretização de uma agricultura orgânica que traga melhorias para a cidade como um todo.
Fico com um gosto amargo na boca de não ter iniciado esta reflexão antes do ano eleitoral. Tenho certeza de que seria um belo debate focar no desenvolvimento rural sustentável, na economia solidária, na promoção da saúde e no bem estar das valencianas e valencianos. Mas nunca é tarde. Que as urnas possam absorver o que é realmente necessário.

JORNAL LOCAL | VALENÇA RJ

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