Tempo é saúde!

Vamos refletir sobre a relação do tempo com a qualidade de vida? Gostaria de começar pontuando sobre a publicidade voltada para os pequenos e pequenas, e que, ao dialogar direto com eles, estimula o consumo desnecessário e a ‘comida porcaria’, responsável pelo aumento alarmante dos níveis de obesidade entre crianças (e adolescentes).
Se a criança está com fome, a necessidade é alimentá-la, de forma a nutri-la com saúde e prazer – sim, respeitar as preferências é importante. Nossas escolhas alimentares são fruto do nosso meio: têm influência da família e da convivência social, e também dependem de um sistema de abastecimento adequado.
As propagandas transformam necessidades em desejos: cereal açucarado num pacote colorido, com um brinquedo de brinde. Pronto! Está ativado o desejo na criança que vai brigar pelas calorias vazias emotivamente. Se vivermos bombardeados de propagandas irresponsáveis, nossas necessidades serão pautadas por elas.
Mas o que a publicidade tem a ver com o tempo (e a nossa saúde)? Com a pandemia, as crianças estão ficando mais em casa e temos menos disponibilidade pra elas, seja ocupados com trabalho remoto ou afazeres domésticos. Consequentemente, o tempo de tela – que já era grande – aumentou e, com isso, a exposição às propagandas.
Estudo divulgado pela iniciativa Criança e Consumo (2019) informa que refrigerantes, achocolatados e chocolates são os produtos com marcas mais conhecidas pelos filhos; nove em dez pais são influenciados por eles no supermercado; 70% gastam muito mais acompanhados dos filhos; e crianças entre 4 e 12 são as que mais interferem nas compras.
O documentário ‘Criança, a alma do negócio’ (2008), traz uma crítica pesada ao consumo turbinado pela publicidade infantil sem limites. E informa: a criança brasileira é a que mais assiste TV no mundo. Ao desenvolver propagandas sedutoras para essa parcela da população, as crianças com responsáveis desatentos acabam sendo vítimas perfeitas.
Observar o desenvolvimento do paladar da minha filha me fez desmistificar de vez o conceito de ‘paladar infantil’ do modo como ouvia falar. Primeiro, porque na casa dos meus pais não tinha comida diferente para adultos e crianças. Sentávamos juntos a mesa e comíamos a mesma comida. E assim eu sigo em meu próprio lar.
O segundo motivo é que tinha hora certa para comer comida mais calórica. Comíamos sanduíches ou pizzas no jantar de domingo e doces eram somente como sobremesa, especialmente nos finais de semana. O bolo era caseiro e o lanche escolar não era de pacote, apesar de ter crescido na década de 80, quando a comida industrializada se consolidou.
Principalmente nos centros urbanos, a alimentação tomou outros contornos com a priorização do trabalho e dos estudos. Ao comer fora de casa, muitas vezes opta-se por comida rápida e barata ou então não sabemos da procedência dos alimentos e como são preparados, passando a ingerir mais gorduras, açúcares, sal e pozinhos mágicos.
A vida moderna mudou o modo como comemos principalmente pela falta de um bem muito precioso: o nosso tempo. Alguns dizem “tempo é dinheiro”. Já eu, digo: TEMPO É SAÚDE! Com a falta dele deixamos de preparar nossos alimentos, de nos exercitar, individualizamos nossos rituais alimentares e damos menos atenção para as nossas crianças.
Comer saudável, movimentar o corpo, dormir melhor e ter contato com a Natureza melhora a nossa saúde de imediato. Quando precisar recorrer às telas, priorize jogos educativos interativos. E para assistir, procure o que está disponível na rede e em serviços de streaming, que não nos bombardeiam com publicidade.
Mudar o estilo de vida é necessário. Apesar do receio que permanece com a espera da vacina CoronaVac, precisamos cuidar da nossa saúde e aproveitar os momentos de lazer para movimentar o corpo ao ar livre, sempre com o cuidado de usar máscara e não esquecer o álcool 70°. O novo normal é viver com mais responsabilidade.

Foto Berg Silva | Olhar Saudável

Jornal Local | Valença (RJ)

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