Cidadania consciente: a justa troca

“Solo saudável, planta saudável, ser humano e animais saudáveis.” A frase é da engenheira agrônoma Ana Maria Primavesi, referência quando o assunto é agroecologia. Nascida na Áustria e radicada no Brasil, Primavesi faleceu no início deste ano, aos 99 anos, e nos deixou um grande legado sobre sua visão holística e ecológica do solo.
Sua publicação mais citada, ‘Manejo ecológico do solo’, é livro de cabeceira de muitos agricultores, estudiosos e demais interessados no tema. Sua vida foi dedicada ao estudo da natureza e das relações do ser humano com a terra. Para ela, tudo na vida deve seguir a lógica da troca. Se tiramos algo, devemos devolver para alcançar o equilíbrio.
Como saber os males que causamos ao planeta para mitigar os impactos negativos? Existe um indicador chamado ‘Pegada Ecológica’, que determina a dimensão dos impactos negativos de nossas ações. Nossos hábitos de consumo traduzem o quanto usamos dos recursos naturais do planeta em relação à capacidade que a Terra tem de se recuperar.
Ou seja, cada estilo de vida demanda uma certa quantidade de matéria e energia das fontes naturais que utilizamos, produz resíduos e provoca emissões de gases que desestabilizam o meio-ambiente e consome a nossa biodiversidade de forma singular. O resultado pode ser específico de um indivíduo, de uma cidade, um país ou de toda a humanidade.
Existem testes para medir esse impacto. Levam em conta os consumos de água e energia (evitar o desperdício), a quantidade e o tipo de alimentos ingeridos (dieta natural e equilibrada, com distribuição justa para todos), a relação do consumo com o descarte (menos lixo) e a frequência e os tipos de meios de transporte utilizados.
O Relatório Planeta Vivo 2018 da WWF, estudo publicado a cada dois anos, revela: “a forma como alimentamos, abastecemos e financiamos nossa sociedade e economia está levando a natureza e os benefícios que ela nos fornece ao limite”. Isso já podemos perceber pelas mensagens que a própria Natureza vem nos dando…
Além de mudar hábitos para reduzir a pegada, também é possível neutralizar os impactos negativos investindo em ações de desenvolvimento sustentável (com justiça social): mudança do modelo de consumo, recuperação florestal, geração de energia limpa, construção de aterros sanitários, entre outros.
Estudos recentes apontam que estamos consumindo em média 50% a mais do que a capacidade de reposição do planeta. Ou seja, precisamos de um planeta e meio para manter os padrões de vida atuais. Reverter isso não é fácil, pois precisa da cooperação da sociedade e cobrança dos governantes e das empresas privadas.
E a nossa existência não é só matéria, certo? Além de buscar relações conscientes de consumo, praticar a economia solidária, cuidar do corpo e da mente, temos uma enorme responsabilidade com nossa vida etérea. Você presta atenção aos impactos negativos dos seus sentimentos na sua jornada? O quanto da sua vida como um todo é uma troca?
Dicas para reduzir a pegada ecológica (WWF Brasil)
Em casa: Desligue sempre as luzes e os eletrodomésticos que não estão em uso; limite o tempo do banho; prefira iluminação e ventilação naturais; recicle seu lixo; faça uma composteira doméstica, diminuindo o lixo orgânico; sempre que possível, deixe o carro na garagem e saia a pé, de bicicleta ou transporte público; aproveite a cidade e peça menos delivery (diminuindo o uso de embalagens), opte por um filtro ou beba água da torneira, diminua o uso do ar condicionado.
Ao fazer compras: Evite fazer compras por impulso ou desnecessárias, opte por produtos não-descartáveis e maior durabilidade; evite trocas periódicas de equipamentos (celular, por exemplo), escolha produtos naturais, frescos e com menos embalagens. Sempre que possível, compre do produtor local, o que evita gastos de energia para transporte e armazenamento. Prefira frutas da época e evite peixes na lista vermelha de extinção. Não compre produtos que tenham microesferas de plástico, como algumas pastas de dente ou esfoliantes.
No trabalho: Faça grupos de carona; desligue luzes e monitores sempre que não estiverem sendo usados; traga sua caneca de casa e diminua/ elimine o uso de copos descartáveis; desligue o ar condicionado quando não for necessário; vá de bicicleta, a pé ou transporte público; quando for viável opte por reuniões pela internet (em vez de atravessar a cidade ou viajar); imprima somente o necessário, optando por diminuir os processos que necessitam de papel.

Imagem de destaque: Berg Silva | Olhar Saudável

Jornal Local | Valença (RJ)

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